Bom...era uma vez um monte de textos que eu nunca postei, e eles estavam todos em meu caderninho, esquecidos. Aí veio a pasta sanfona que tudo organiza, e eu precisei colocar meus papeis em ordem...como percebi que havia muito mais coisa do que eu teria capacidade de carregar em minha mochila, resolvi digitalizar uma parte dos textos, e posta-los no blog para que eles conheçam um mundo novo além-caderno e para que o mundo além-caderno os conheça. Eles serão postados todos juntos e viverão felizes para sempre:
Perco
Tem sons que só se escuta quando fica silêncio...
Gestos vão perdendo o sentido enquanto tento, inutilmente, chamar tua atenção.
O teu caso pelo novo, teu descaso pelo tudo, o teu caso com o mundo, torna qualquer inverno mais triste...torna qualquer tentativa mais estafante
e é como um monólogo autista: pergunto, me respondo, eu jogo, tu jogas, eu perco.
E tu dizes pra não me aborrecer por pouca coisa...como se pouca coisa não fosse tão pouco, comparado ao que realmente é.
Tem coisas que quando prosseguem acabam passando do ponto final
e tem coisas que chegam ao fim antes que se descobrisse qual era na verdade, o ponto final delas.
Soprando
Acabo de matá-la mais uma vez em mim
O quarto não parece vazio
não queria mais viver dias assim
O silêncio, o ócio, a conversa hostil
Começar tudo de novo é o oposto de desistir
e me lembro de fantoches n'um cenário de brinquedo
pensamentos fúteis de um passado obsoleto
vão sumindo, um a um, em um ciclo imperfeito
e as vozes, sentimentos, cada dia mais ardentes
vão virando uma rotina, sem motivo, contundente
o que outrora fôra ansia misturada com saudade
hoje é só motivo de alimentar sua vaidade
são palavras apenas, da boca pra fora
coisas que se pode deixar pra outra hora
e fico soprando brasas pra chama não apagar
mas são nas últimas faíscas que fazes questão de pisar.
Sem título
Poderia não reconhecer mais aqueles caminhos pelos quais costumávamos ir,
e poderia não escutar mais as músicas que me lembram de ti,
e tudo vai dando errado ao redor de mim,
sinto não conhecer mais a essência do que me trouxe até aqui.
Mas restam algumas certezas inexplicáveis,
sentimentos intermináveis...
e o que era pra ser eterno, torna-se passageiro
como dias que se tornam meses, em um ciclo, pra mim, imperfeito.
Os dias passaram logo, fazendo pouco do que acreditei
mundando o meu conceito
me apresentando um mundo perfeito
e do jeito que veio, se foi
deixando apenas esse vazio
deixando a sensação incômoda
de que não precisava acabar assim
e me pergunto se escolhi errado
me odeio por ter gostado
seguro nas mãos do passado
sem vontade de deixá-lo ir.
Descasos
Como provocação do acaso, nossos caminhos se descruzaram.
Não estamos mais aqui.
Estamos presentes em corpo, mas nossos espíritos voam longe
talvez explorem terras desconhecidas
outros sabores e cheiros que ainda não experimentamos
ou estão vivendo aventuras no passado
de cabelos longos e perfumes doces
como se tudo que existiu em nós não passasse de desencanto.
O que hoje leva as cinzas, do que um dia foi um incêndio
e talvez, antes do incêndio, uma fortaleza
confortável, aconchegante e segura. Feita de risos de sonhos.
E como móbiles que pendem do teto, balançando a favor do vento
nossos corações vagam agora em direções opostas
nos fazendo crer que algumas coisas, embora ainda tentemos
nunca voltam para o seu lugar.
Sem título
Tua ausência, constante, no meio da noite
mil amores quebram, mil dias passam
Tua pressa, inexplicável, de ir embora
mil tendões fendem, mil fendas abrem
E olhei o paraíso árido
brisa doce da manhã esquecida
e tua roupa, sobre a cama, sobreposta
trás a volta de minhas noites entorpecidas
O teu cheiro, tão frequente, penetrante
ilustrando a fantasia mais vibrante
de pousar sobre o teu peito amante
esse mundo, sobre tudo, sobre nós
e só o medo de ouvir a tua voz
n'aquele tom que eu conheço muito bem
me dizendo que me entende bem além
de outros corpos que outrora conheci.
Destinos Fantásticos
Há 13 anos

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