segunda-feira, 26 de abril de 2010

22ª Desventura

Voyer
25-04-2010
23:32
Já é tarde e as luzes continuam acesas
as pessoas circulando e a vejo tão só
me trancando num universo de incertezas
acompanho a vida alheia em ré menor.
Tudo é muito claro ali do outro lado
e me escondo no escuro pra ouvir seus sons
tentando entender o que houve de fato
pra tentar dar pra essa crise os melhores tons

Quis fazer uma canção pra moça da janela
que só veste branco quando vai dormir
fico imaginando qual é o nome dela
e que milagre ocorre pra ela sorrir

Hoje alguma coisa saiu da rotina
e a vejo andar inquieta pela casa
já era hora de a ver fechar a cortina
e me jogar na cama com o peito em brasa
mas hoje aconteceu algo de diferente
talvez eu pudesse tentar ajudar
não vejo o ar perdido e quase inocente
e enquanto não dormir, não posso me deitar

Quis fazer uma canção pra moça da janela
que se deita tarde e não vejo acordar
fico imaginando como é a voz dela
e se um dia ela vai olhar pra cá.


(já perdi as contas de a ver deitar
talvez se sentir mal e tornar a levantar
hoje alguma coisa lhe tirou o sono
e eu queria um peito pra lhe consolar)

-Saah Tavares

segunda-feira, 19 de abril de 2010

21ª Desventura

Tava mexendo nos meus documentos e encontrei esse texto antigo...fiquei um tempão me perguntando de onde eu teria tirado isso. Talvez eu me encaixe em alguma das vidas nele descritas, ou nas duas, ou deseje ser uma das duas, ou apenas tenha sentido vontade de escrevê-lo. Resolvi coloca-lo aqui, já que nem lembro se já o coloquei em algum lugar antes. Eis:

Ela pediu mais uma dose. Era a décima da noite, mas sua vista ainda não estava tão turva quanto ela gostaria, nem sua cabeça girando tanto quanto deveria.
Ela estava dançando com as outras quatro belas moças que a acompanhavam naquela noite. O alto astral emanava do movimento de seu corpo atlético, de seus belos cabelos ondulados, do balanço de seus quadris totalmente proporcionais a todo o resto, igualmente perfeito
Ela virou a dose de uma só vez garganta abaixo. Nem sentia mais o calor da tequila descendo, nem do alcool subindo. Encaixou os dedos entre os cabelos curtos, lisos, em desordem. Tudo começou a rodar, finalmente.
As amigas riam entre segredinhos, comentando sobre o "fulano" que estava ficando com a "Sicrana" ali em um canto qualquer, ela continuava dançando, sem se importar com nada, deixando apenas as luzes e sons embalarem seu ritmo.
O caminho ao banheiro parecia tão longo de repente, e tudo ia voltando muito rápido, a traição, o carro batido no poste, a "deprê", o trabalho por fazer, a falta, a solidão, o bar, a boate, aquela noite, as dez doses.
A cerveja começou a fazer efeito, ela virou-se apenas para as amigas, que estavam azarando os "gatinhos", e falou meio que gritando, devido ao som muito alto "banheiro!" e como em todo grupo feminino, todas a seguiram.
E por uma incrível coincidencia do destino, a tristeza e a alegria ali se encontraram, na porta do banheiro de uma boate qualquer, e sem precisar de palavras, seus olhos se compreenderam, pediram um reencontro, viram um no outro a necessidade de um momento a sós.
No final da noite, as amigas comentavam, no quarto de uma delas, quem seria aquela "fulana" com quem a "Sicrana" entrou no carro, no final da balada, abandonando-as, enquanto em algum outro ponto da cidade, muito mais aconchegante e tranquilo, uma mágoa começava a cicatrizar, e a tristeza e a alegria, juntas, começavam a construir o amor.

-Saah Tavares

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vigésima Desventura

Querer

Vem agora me pedir pra desenhar seu mundo
e me faz pensar por eras, onde me encontro
se o encontro não é mais de se encontrar
em algum canto, desencanto, distante de nós.
Vem tentar me definir, tal fosse pronome
e me deixa bem pra lá de suas frases feitas
mas o bela dela tem um jeito de me levar
tão longe quanto o perto que ela deixa estar
e o pronome vira verbo quando me sorri
verbo que só se pronuncia uma vez
palavra que a destaca em milhartes
que trás a ressaca que não é dos mares
que me mostra o caminho pra desencontrar.
-Saah Tavares

Décima nona desventura

Eu ia só postar o texto pendente e me mandar, mas hoje me deu vontade de escrever alguma coisa aqui. Tenho vivido dias meio vazios, tenho escrito pra ninguém, tenho me focado em coisas que podem dar certo, mas que são ligeiramente levianas...não sei ao certo onde quero chegar com isso, só sei que esse vazio não me faz infeliz, nem feliz. Simplesmente não sinto vontade de nada, e olha que eu já tomei remédio pra verme este ano...vai entender?


Eis o texto, que chamei de "Sinais"

Coração, por favor, não dispare mais
quando eu me conformar com minha condição
e tiver certeza de que é demais
saber que você não o faz por opção.

Pernas, por favor, parem de tremer
quando meus amigos estiverem perto
desse jeito as pessoas podem perceber
que nem eu mesma me conheço ao certo.

Borboletas, por favor, parem de voar
tenho certeza de que nunca engoli vocês
me deixem livre pra voar, me encontrar
antes que eu perca o caminho de vez.

Suor, por favor, pare de escorrer
você não sabe que só é bom no escuro?
você só é bem vindo quando tem que ser
n'aquilo que eu faço, e depois durmo.

Se você soubesse ler todos os meus sinais
saberia que quer mesmo me conhecer
não do jeito que eu mostro pros demais
mas do jeito que te ensino a me querer.


-Saah Tavares