domingo, 29 de maio de 2011

35ª Desventura

Mis uma reunião de textos meus que nunca coloquei aqui:

Sobre a piedade, e seus problemas com o espelho.
24-02-2011
Já me desacostumei a dar de cara com o espelho. O espelho do banheiro já quebrou faz tempo. Já nem vale mais fazer das tripas coração. Das tripas, fazer rins, desenvolver novos pulmões. Do coração fazer migalhas, fazer pano de chão.
Tanto vale o empenho quanto o descaso. Os dois somariam um nada infindável, não fosse o acréscimo das horas passando, lentas ou velozes, de punho em punho desta caçada indígna. Os bastardos se vêem próximos ao terror eloquente, da ausência sem sentido, do nada que cresce, mais rápido que eles, mais rápido que a luz. Diante dos olhos. Os olhos do espelho que não está lá.
Quanto valeria então? O tempo somado para admitir novas vidas, quando estas em si serão tragédias...quando estas acabarão pior do que começaram. Oriundas da maternidade imunda, provenientes de uma união desprovida de sentido, de sentir, de bem estar. Términas em desespero. O meu desespero, o nosso. Vendo levados de nós o que conquistamos com esforço, vendo esvair-se a vida do mais fraco e mais vulnerável. Indo terminar assim, sem rédeas. Abandonadas por aqueles que foram mais espertos que nós, que ocuparam cadeiras acima das nossas, que construiram grandes instituições como esta onde nascem os bastardos, para ao morrerem, terem seus nomes estampados em suas fachadas. Abandonadas foram todas essas vidas, por aqueles que apenas fingem se preocupar. Por nós, não há mais nada. Há um depósito bancário, não há paixão. Há interesse à esmo, em casos peculiares que despertam essa pseudo-compaixão existente em cada ser humano. Compaixão fictícia. Valores morais obrigatórios, herdados de quem também nunca os praticou de fato. E onde vai parar todo esse empenho? Onde vai parar todo o progresso? O que começa como custo adicional, como peso morto, se tornará, à medida que cresce, um peso-estorvo. Uma ocupação desnecessária de espaço, arrisco ocupação perigosamente predatória de espaço. O peso que cai sobre nossos ombros, nossas conciências. O custo benefício que sai do meu dinheiro, do seu dinheiro, do nosso esforço sagrado à troco de nada. O espelho que se quebra todos os dias, o espelho omisso. A omissão da mão que se estende, do prato de comida que se serve, para aquele que não verá outro igual amanhã. Sustentamos esses hamsters, os observamos correr em suas rodinhas de exercício, e não os desejamos ali. Como terras improdutivas que se tornam vítimas de apropriação ilegal, que passa a ser legal, que se torna comercial, e reinicia um ciclo de desonestidade já habitual. E viramos diariamente os olhos e os sentidos. Lacramos o peito contra toda essa falsa piedade. Toda a nossa falta de bom senso. Sentimos muito, já nos sugaram toda a compaixão, não podemos mais compartilhar nosso descaso, nosso interesse, nossa preocupação. Desistidos estamos, muitos de nós, e esperamos descrentes pelo dia em que alguma coisa se moverá mais rápido, mais devagar, no sentido certo(só se tiver um) e enfim as peças começarão a se encaixar. Comecei a falar tolices...esperar e estar descrente são estados que não podem caminhar de mãos dadas. Não podemos dar as mãos, não precisamos, não devemos.
Deixaremos vir mais pesos mortos, faremos o nosso papel. Exerceremos essa falsa piedade, quebraremos mais espelhos de omissão...




...até que alguém tenha piedade de nós.






Este texto é em homenagem à mim, e a todos os outros profissionais da saúde que como eu, diariamente, vêem nascer crianças que sabe-se desde o berço, não ter condições plausíveis de futuro promissor.


Rio do nada
04-03-2011
A maré do dia inteiro recomeçou. Não há nada que possa ser feito sobre os rios tranbordantes que se formam em torno de nós. Em torno de nossos carros, de nossas vidas, de nossos corações, de nosso pequeno universo...rios transbordando queixas, descobertas, decepções.
-Metáforas, hoje não!
Mais cedo um amigo que não vejo há tempos me enviou uma breve canção. Desejaria apenas lembrar-me, mais e melhor, dessa boa fase em que não havia nada...mas um nada construtivo, um nada conciso. Me agrada em muito o nada com conteúdo.
Vigoram agora novas sensações. Improváveis, indignas, inegociáveis. Difícil impedir que essas coisas acabem acontecendo. Estou contando com o tempo, para que ele resolva isso de vez, ou leve pra longe de mim. Não quero, não posso, e me lembro de nossas pobres composições contemporâneas. Rio um pouco disso. Rio. Rio que transborda em nós. Rio da desgraça alheia, o alheio ri de minhas vãs tentativas de evitar o inevitável. Nado sozinha, no nada dominante, o nada sufocante de ser, de querer, de não poder.
Deixo a maré, esta maré do dia inteiro, me levar.
Não tenho mesmo mais pra onde ir...


Ode do ilusionista
11-03-2011
Preenchido o vazio, o espaço em branco deve estar
em algum lugar bem perto, tentando me encontrar
falar de amor é tão vago, quando já não se sente
já não faz mais falta o "contentar-se de contente"

E nesses dias úmidos, totalmente sem sentido
quando apenas sorrir parece proibido,
é que desisto da dor, apuro o ouvido
gasto toda a minha voz contigo.

E a presença do sentir retorna imponente
tentando encontrar um local mais quente
faz o sangue frio correr novamente
torna "existir" um pouco mais decente

Mas os devaneios sempre voltam atrás
o vazio retorna quando tu te vais
desisto da idéia de sermos iguais
entendo que não devo me entregar, jamais.


Diário Psiquê
12-03-2011
Hoje a chuva de todos os lados tentou invadir a janela.
É uma boa escolha, a melhor que eu poderia ter...mas não é a escolha certa, ainda não, não foi desta vez.
Não se trata necessariamente de mim, não mais. Prefiro não selecionar partículas intangíveis, entre migalhas espalhadas aos pombos em meu pequeno parque individual e secreto. Mas estas migalhas tem estado muito por aqui ultimamente. Estas sementes tem dado um pé de seja-lá-o-que-for que eu gostaria que não estivesse aqui. Não o pedi, não o desejei, não o amo, se é que é isso que eu deveria sentir por ele. Talvez eu deva mesmo hostiliza-lo, para que ele e eu aprendamos que não se deve precipitar quando se recebe migalhas; já perdi muitos pombos assim, não desejo perder mais nenhum.
Hoje eu gostaria de celebrar um pouco mais toda essa estupidez. Esse desperdício. Desperdício de mim. Já não sou mais quem eu costumava ser(em meus sonhos...)e sim aquilo em que um dia me disseram que me tornaria, tornaria-me nisso, ou nisto, porque estou aqui. Presente, e apresentável. Não posso dizer que bem, mas se fizessem uma escala de avaliação veriam que de uns tempos pra cá o resultado seria no mínimo satisfatório. Então tudo bem, eu estou bem, os pombos estão indo bem também. Bem, bom, satisfatório. Não vejo muito como pode passar disso. Não mais.
Hoje tive um pequeno tsunami interno. Uma onda minúscula, mas que se posta dentro de um ser humano torna-se literalmente uma catástrofe natural, apanhou-me de chofre, e eu deixei-me levar(como se pudesse ter tido alguma reação que não fosse essa). Me permiti nadar por entre os fragmentos do que o tsunami arrastou. Desviando dos dejetos, fiz-me criatura flutuante em meio ao caos.
Finalmente, em um longo espaço-tempo, senti-me feliz de fato. Feliz...feliz?
-Ora poupe-me metáfora, já disse que não temos nada pra conversar!
Hoje descobri que eu sei perder. Sei perder mesmo quando acreditava que ia ganhar. Sei perder pra quem sei jamais poder vencer, pra quem eu sei que jamais eu poderia superar. Aprendi a engolir um pouco mais palavras nobres, e a cuspir de volta uns termos mais singelos, corriqueiros, o que seja...aprendi que pra ganhar, deve-se ser um vencedor. E isto bastou para me convencer a sair, de bom grado, do campo de batalha.
Hoje eu tenho certeza de que tudo o que está por vir, me fará ainda pior do que o que já passou. Não sei como essa história termina, e não vou ficar para ver o final.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

34a Desventura

Segundo Andar(Eu sou covarde)

É preciso ter coragem pra escrever um livro
É preciso ter coragem para dizer não
É preciso ter coragem pra correr o risco
É preciso ter coragem pra pedir perdão
É preciso ter coragem pra seguir viagem
É preciso ter coragem pra se apaixonar
É preciso ter coragem pra tirar vantagem
É preciso ter coragem para se matar

Mas se for pra te tirar de rota
Te bater à porta e te dizer “não dá”
Eu sou covarde, por inteiro
Meu amor é o primeiro
Do segundo andar

É preciso ter coragem pra deixar um amigo
É preciso ter coragem para se alistar
É preciso ter coragem pra pedir abrigo
É preciso ter coragem para levantar
É preciso ter coragem para decidir
É preciso ter coragem pro vestibular
É preciso ter coragem para não fugir
É preciso ter coragem para apanhar
É preciso ter coragem para dar um soco
É preciso ter coragem para revidar
É preciso ter coragem pra tentar de novo
É preciso ter coragem pra aprender a amar

Mas se for pra te tirar de rota
Te bater à porta e te dizer “não dá”
Eu sou covarde, por inteiro
Meu amor é o primeiro
Do segundo andar
-Saah Tavares

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

33a Desventura

Carpe Omnium
A amizade dos renais é mais sincera
A euforia dos diabéticos mais intensa
As primaveras dos aidéticos são mais belas
e os leucêmicos tem manhãs mais tenras

É mal do século, é mal de parkinson
degeneração é pular de um prédio
pra que lutar contra o que já é fato?
melhor morrer de dor do que morrer de tédio

Quem morre de câncer já morreu de amor
pela fragilidade que a vida tem
e tudo que viveu ele aproveitou
porque quem vive mal é que vive bem

Ele já não liga pro engarrafamento
tanto faz pra ela se acabou o cigarro
e é muito melhor que esteja chovendo
parece que a vida quer tirar um sarro

A vida tem valor quando termina cedo
e depois que morre todo mundo é santo
quando se perde tudo já não se tem medo
e cada momento ganha seu encanto

Quem morre de câncer já morreu de amor
pela fragilidade que a vida tem
e tudo que viveu ele aproveitou
porque quem vive mal é que vive bem

-Saah Tavares

Ps: observação no dia-a-dia do hospital...isso me trouxe uma tsunami de pensamentos e sensações...nós perdemos tanto tempo no nosso mundinho besta(a namorada da fulana traiu ela com a cicrana...eu morro de ciúmes da ex do meu namorado...fulano de tal saiu hoje e nem me ligou...cicrano ta me devendo cem reais)e nos perdemos de nossos valores, nos esquecemos o quanto isso tudo aqui dura pouco, o quanto "todo tempo do mundo" pode durar menos de um ano, menos de um mês...pode te limitar a uma cadeira de rodas, a depender dos outros, a mal conseguir comer sozinho...e mesmo assim, essas pessoas vivem todos os dias, acordam todos os dias, vão pra Quimio, vão pra Hemodiálise, tomam o coquetel que os devora por dentro...e elas vivem. Vivem muitas vezes melhor do que vivemos, e reclamam infinitamente menos do que reclamamos. Eles passam todos os dias pela minha mesa com o mesmo sorriso, me dão o mesmo "bom dia" alegre, educado, cordial...e eu os invejo! Não invejo suas enfermidades, mas invejo o que eles aprenderam...o que eles sabem e eu não sei, o que eles sentem e eu não sinto. Eles sabem valorizar cada minuto, cada manhã, cada pôr do sol...porque embora pra todos nós um dia venha a ser o último, pra eles pode ser qualquer um...pode ser a qualquer momento. Eles não sabem quando vão ver a esposa, os filhos, os amigos, os pais pela última vez...eles não sabem se amanhã vão poder comer seu doce favorito...enquanto nós, em nosso mundinho fútil, estamos nos preocupando com a roupa do final de semana...com a briga com a namorada, com o tédio do sábado a noite. Eu vejo essas pessoas diariamente, e elas me fazem ver o quanto nossas vidas são vazias. Como eu queria, só um pouquinho, só por um dia, aprender mais com elas!

32a Desventura

Bom...era uma vez um monte de textos que eu nunca postei, e eles estavam todos em meu caderninho, esquecidos. Aí veio a pasta sanfona que tudo organiza, e eu precisei colocar meus papeis em ordem...como percebi que havia muito mais coisa do que eu teria capacidade de carregar em minha mochila, resolvi digitalizar uma parte dos textos, e posta-los no blog para que eles conheçam um mundo novo além-caderno e para que o mundo além-caderno os conheça. Eles serão postados todos juntos e viverão felizes para sempre:

Perco
Tem sons que só se escuta quando fica silêncio...
Gestos vão perdendo o sentido enquanto tento, inutilmente, chamar tua atenção.
O teu caso pelo novo, teu descaso pelo tudo, o teu caso com o mundo, torna qualquer inverno mais triste...torna qualquer tentativa mais estafante
e é como um monólogo autista: pergunto, me respondo, eu jogo, tu jogas, eu perco.
E tu dizes pra não me aborrecer por pouca coisa...como se pouca coisa não fosse tão pouco, comparado ao que realmente é.
Tem coisas que quando prosseguem acabam passando do ponto final
e tem coisas que chegam ao fim antes que se descobrisse qual era na verdade, o ponto final delas.


Soprando
Acabo de matá-la mais uma vez em mim
O quarto não parece vazio
não queria mais viver dias assim
O silêncio, o ócio, a conversa hostil
Começar tudo de novo é o oposto de desistir
e me lembro de fantoches n'um cenário de brinquedo
pensamentos fúteis de um passado obsoleto
vão sumindo, um a um, em um ciclo imperfeito
e as vozes, sentimentos, cada dia mais ardentes
vão virando uma rotina, sem motivo, contundente
o que outrora fôra ansia misturada com saudade
hoje é só motivo de alimentar sua vaidade
são palavras apenas, da boca pra fora
coisas que se pode deixar pra outra hora
e fico soprando brasas pra chama não apagar
mas são nas últimas faíscas que fazes questão de pisar.



Sem título
Poderia não reconhecer mais aqueles caminhos pelos quais costumávamos ir,
e poderia não escutar mais as músicas que me lembram de ti,
e tudo vai dando errado ao redor de mim,
sinto não conhecer mais a essência do que me trouxe até aqui.
Mas restam algumas certezas inexplicáveis,
sentimentos intermináveis...
e o que era pra ser eterno, torna-se passageiro
como dias que se tornam meses, em um ciclo, pra mim, imperfeito.
Os dias passaram logo, fazendo pouco do que acreditei
mundando o meu conceito
me apresentando um mundo perfeito
e do jeito que veio, se foi
deixando apenas esse vazio
deixando a sensação incômoda
de que não precisava acabar assim
e me pergunto se escolhi errado
me odeio por ter gostado
seguro nas mãos do passado
sem vontade de deixá-lo ir.


Descasos
Como provocação do acaso, nossos caminhos se descruzaram.
Não estamos mais aqui.
Estamos presentes em corpo, mas nossos espíritos voam longe
talvez explorem terras desconhecidas
outros sabores e cheiros que ainda não experimentamos
ou estão vivendo aventuras no passado
de cabelos longos e perfumes doces
como se tudo que existiu em nós não passasse de desencanto.
O que hoje leva as cinzas, do que um dia foi um incêndio
e talvez, antes do incêndio, uma fortaleza
confortável, aconchegante e segura. Feita de risos de sonhos.
E como móbiles que pendem do teto, balançando a favor do vento
nossos corações vagam agora em direções opostas
nos fazendo crer que algumas coisas, embora ainda tentemos
nunca voltam para o seu lugar.


Sem título
Tua ausência, constante, no meio da noite
mil amores quebram, mil dias passam
Tua pressa, inexplicável, de ir embora
mil tendões fendem, mil fendas abrem
E olhei o paraíso árido
brisa doce da manhã esquecida
e tua roupa, sobre a cama, sobreposta
trás a volta de minhas noites entorpecidas
O teu cheiro, tão frequente, penetrante
ilustrando a fantasia mais vibrante
de pousar sobre o teu peito amante
esse mundo, sobre tudo, sobre nós
e só o medo de ouvir a tua voz
n'aquele tom que eu conheço muito bem
me dizendo que me entende bem além
de outros corpos que outrora conheci.

domingo, 25 de julho de 2010

31a Desventura

-Sabe...as vezes eu fico pensando em nós, e sinto tanto medo...
-Medo? Mas medo de que?
-Medo de te perder, medo de que alguém te tire de mim, medo que um dia tu me troques por alguém melhor do que eu...
-Impossível
-O que é impossível?
-Haver alguém melhor.







Obrigada por fazer do meu mundo um lugar mais feliz.

terça-feira, 29 de junho de 2010

30a Desventura

-Andei pensando nos planos sobre os quais te falei no outro dia...
-Quais deles? Tu vive de fazer planos...
-Mas dessa vez eu falava dos teus.
-...os meus? Que planos?
-Os que eu te disse que não pões em prática.
-Ah. Estamos falando disso novamente.(suspiro)
-Estamos. Acho que ao menos precisamos falar, já que são apenas planos...e que nunca deixam de ser...
-Tu me cansa com essa conversa. Sempre a mesma coisa, a mesma pressão...
-Não te pressiono. Quero te ver bem.
-Se realmente o quisesse, não me colocaria essas coisas o tempo todo nas faces.
-Ah...(decepção) desculpe, não sabia que isso te cansava...
-Pois cansa. Tu bem sabes o quanto te respeito, mas é apenas isto. Não peça mais do que posso lhe dar.
(Porta batendo, silêncio)
-...meu plano era você.
Mas não havia ninguém pra responder

domingo, 20 de junho de 2010

29a Desventura

O que te faz feliz?
O que te satisfaz?
O que te entorpece?
O que te enlouquece?
O que te amanhece quando anoitece?

Eu quero um cigarro e um café quente
Você quer nem pensar na gente
Eu quero acreditar quando você mente
Você quer meu beijo mais indecente

Eu quero esse teu amor egoísta
Você quer amanhecer na pista
Quero entender o seu ponto de vista
Você prefere me riscar da lista

O que me faz querer?
O que me faz correr?
O que me faz viver?
O que me dá prazer?
O que me faz crer no que não se vê?

Eu quero te encontrar onde te procuro
Você prefere me deixar no escuro
Eu quero pensar mais no futuro
Você só dá de cara no muro

Eu quero me livrar desse calor
Você só vive procurando amor
Eu quero achar que não acabou
E você não quer me fazer esse favor
-Saah Tavares